I. Sonho

Ouvi o relógio despertar, resmunguei em quanto pulava da cama e o desligava a tapas. Hoje é sábado, eu não precisaria acordar cedo, mas combinei de fazer trilha com Tio Emmett e Jacob. Mamãe nos chama de Trio Calma, não por que somos calmos, mas por que é o que ela sempre diz quando estamos juntos. Abri a janela e fui para o Closet que Alice preparou para mim.
Vesti uma calça jeans, uma regata nadador branca – eu não sinto frio- com um jaquetão preto por cima, e um tênis para caminhar, bem simples.
Arrumei minha cama e sai do quarto. Em quanto eu descia as escadas ia prendendo os cabelos em um rabo de cavalo.
 - Bom dia Família – Desejei sorrindo.
 - Bom dia meu amor – respondeu papai vindo em minha direção. Olhei para os lados, tio Emm estava vendo TV, Esme e Carlisle estava conversando sobre a cor da parede da sala, tia Alice e tio Jasper tinham ido caçar e mamãe estava botando torradas na mesa, sorrindo para mim.
 - Olá mamãe – retribui o sorriso.
 - Você vai fazer trilha, certo? – interrompeu papai, com certeza não era uma pergunta, afinal, ele sabia a resposta.
 - Sim – respondi em quanto beijava o seu rosto – Porque pai? – atravessei a sala e abracei mamãe.
- Você deveria levar algumas coisas, kit de primeiro socorros, comida... – eu e mamãe rimos. Disfarçadamente toquei nela, e usando meu dom, disse:
- Protetor não?!
- Muito! – ela respondeu alto, com sua linda voz de sinos. Papai nos olhou com uma sobrancelha erguida, ele não entendeu porque eu estava bloqueando meus pensamentos, eu conseguia fazer isso, mas requer muita concentração, não faço muito. Eu sorri e ele foi se sentar com Emmett de cabeça baixa.
- Onde está Jacob... e tia Rose? – perguntei em quando mordiscava uma torrada.
- Rosalie está dando uma olhada no carro e Jacob está no Canil, acho que ainda não acordou – ela respondeu, parando para tentar ouvi-lo.
Depois que nos mudamos, Esme achou melhor preparar uma casa só para Jake, ele se sentia mais a vontade lá e os vampiros se sentiam mais a vontade com ele lá. Rose fez ‘’ gentilmente’’ uma placa escrito Canil e pendurou na porta. O nome pegou.
Terminei de comer, escovei os dentes e avisei papai:
- Vou acordar Jacob, certo? – ele me olhou desconfiado e assentiu sorrindo.
- Não esquece o anti-pulgas. – disse ele rindo com Emmett.
- Já volto. – sai da casa e ouvi mamãe perguntando onde eu estava indo.
O Canil fica logo ao lado da casa principal. Ela não era grande, era uma casa média, para umas três pessoas. Eu gostava de lá, mais do que de meu quarto, eu me sentia completa. Talvez porque só vou ao Canil quando Jacob esta lá. Bati na porta e ele não atendeu. Logo ouvi seus roncos, não precisava de nenhuma super audição para isso. Abri a janela e a pulei. O cheiro de madeira me tocou e eu a aspirei com força, eu amo este cheiro, o cheiro de Jacob. Andei devagar até o quarto, observando a bagunça da sala. Abri a porta bem devagar, torcendo para que ele não acordasse. E ele estava lá, perfeito, vestindo apenas uma cueca samba-canção, uma de suas pernas estava para fora da cama e na sua mão estava o controle da TV, que ainda estava ligada, eu ri baixinho.
 Desliguei a TV, e caminhei até a cama, praticamente, empurrei sua perna para poder sentar. Tirei o controle remoto da sua mão e o botei no criado mudo.
- Jacob – chamei baixinho, mas ele ainda parecia morto, então dei um beijo no seu rosto, nada.
- JACOB – quase gritei, mas ele apenas virou para o outro lado. – Jacob, amor – tentei de novo, desta vez enchendo seu rosto de beijos e ele abriu os olhos, falando coisas sem sentido. Eu apenas ri.
Ele, percebeu que era eu que estava ali, e sorriu, um sorriso largo e caloroso.
- Você deveria me acordar mais vezes – ele riu, me puxando para um de seus abraços de urso.
- Estou profundamente triste – falei ironicamente, em quanto fingia secar lágrimas. – Você esqueceu nosso compromisso. – ele franziu a testa, depois sorriu.
- OH não, me perdoe querida – ele colocou a mão na testa, entrando na brincadeira.
- Claro que eu te perdôo – dei um beijo no queixo dele – agora se arrume ou Edward vem me buscar com uma 12 – ele pareceu gostar da idéia, então o belisquei. – Rápido!
- Ok, Ok madame, estou indo – ele resmungou em quanto levantava.
Eu o olhei de cima a baixo, não consegui me imaginar sem Jacob.
- O que houve? – ele perguntou.
- Nada, estava só pensando, esse lugar está um chiqueiro – ele riu.
- Pensei que era canil – ele disse apontando para porta.
Jacob foi se vestir no banheiro, eu fiquei tentando arrumar o quarto. Apenas tentando.

- Ok mulher, estou pronto – disse saindo do banheiro. Ele estava com uma camiseta manga curta branca, bermuda azul escura, tênis para caminhada e o mais importante, sorrindo para mim. Caminhei até ele.
- Vamos? – sorri.
Ele passou a mão no meu rosto com carinho, me olhou fixamente nos olhos e sorriu.
- Eu amo você mulher! – ele beijou a ponta do meu nariz.
- Também te amo homem. – eu sorri, abobada.
É e sempre foi muito complicado para mim, Jacob. Porque desde que eu nascera, havia alguém lá me esperando, não estou reclamando, é apenas complicado. Jacob já me explicara varias vezes impriting , mas se alguém me perguntasse eu não saberia explicar. Eu amo Jacob, sempre amei. Mas cada vez de uma forma diferente, por exemplo: dos dois anos de idade até os oito eu o via como irmão mais velho, dos nove aos treze, como melhor amigo, e agora é como se ele fosse meu e eu fosse dele. Eu só sou Renesmee com Jacob. Tenho um grande medo de que tudo isso mude, que tudo isso se perca com o passar dos anos. Tenho medo do futuro, sempre tive.
- Vamos logo – Lembrou-me ele, me puxando.
- Emmett já está com tudo pronto – avisei em quanto saiamos da casa – Quando vai a La Push? – perguntei, a ultima vez que ele fora fazia uns doze dias.
- Quarta, eu acho. Só tem matérias chatas quarta-feira – ele sorriu com sua brilhante idéia de matar a aula de Inglês.
- Isso é bom! – confessei.
- Por quê? – ele não entendeu minha linha de raciocínio. – Bom? – perguntou de novo, franzindo a testa e pegando minha mão em quanto atravessávamos o Quintal. Papai não permitia nada além de abraços e beijos no rosto, e mamãe meio que o apoiava, ela ainda se sentia ‘’culpada’’ por casar aos dezoito anos, então preferia que Edward cuidasse disso. Jacob não se importava muito, afinal para ele, só estar comigo já bastava.
- Porque nos dias de semana eu me distraio com mais facilidade, de certa forma, é mais fácil ficar longe de você. – ele riu.
- Voltei – eu disse em quanto abria a porta.
- Bom dia Nessie, como vai cachorro? – disse tia Rose – cuide dela Emmett.
- Hei Rosalie, como se mantém uma loira distraída? – perguntou Jacob, Emmett parou para ouvir – Pedindo para ela sentar no canto de uma sala redonda. É! – Eles riram juntos e Rosalie saiu batendo o pé.
- Tchau amores – eu disse.

Caminhamos e depois corremos, Jacob preferiu ir como lobo. Meu tio nos levou até uma campina. Era lindo, muito lindo. A água espelhava as montanhas atrás de nós. E havia uma fina camada de neve a deixando imóvel. Fiquei encantada, era muito calmo e muito... Vivo.
Emmett foi caçar em quanto Jacob e eu ficamos na campina.
- Jake, para onde vamos depois?
- Para casa – ele respondeu mordendo a maçã.
- Você não me entendeu, estou falando de depois que papai nos ‘’libertar’’. – ele parou de mastigar para me olhar, em seguida engoliu com uma careta.
- Renesmee, amor. Como assim, você não quer ficar com seus pais e com sua família?
- Não exatamente, eu... Eu quero viajar, sei lá, conhecer. – Jacob riu – O que foi? – ele beijou meu pescoço.
- Temos muito tempo para decidir isso, mulher – ele sussurrou.
Nós estávamos sentados, eu entre as pernas dele, escorada em seu peito.
- Você está certo! – sorri e beijei seu rosto.
- Emmett está chegando – disse Jacob, parei e pude ouvi-lo também. Levantei e peguei a mochila.
- Vamos – eu disse para os dois, tio Emmett já estava ali.
Apostamos uma corrida até a casa, Jacob ganhou e eu cheguei por último, preciso praticar corrida.
Nós três entramos, Rose recebeu Emmett com um beijo e meus pais me receberam com carinho.
- Preparei macarrão para vocês dois. – disse vovó Esme da cozinha, e nós fomos comer.
Eu gostava da comida humana, mas preferia sangue, mesmo sendo de animais. Caço uma ou duas vezes por semana, apenas quando sinto falta. Nunca provei do sangue humano, bom, apenas quando era pequena.
- Hora de dormir mocinha – disse mamãe quando terminei. Dei boa noite a todos e fui para o quarto. Coloquei minha camisola favorita, seda verde água.
- TOC TOC – disse mamãe na porta. Todas as noites ela vinha conversar comigo, contar histórias, a minha preferida era a da Ilha de Esme. Podemos dizer que a história de Edward e Bella foi e ainda é uma novela: primeiro terror, suspense, drama e ,agora, eternamente romance.
Eu não cansava de conversar com mamãe, considero ela, de certa forma, como minha melhor amiga, para ela, eu podia contar tudo, tudo mesmo.
- Pode entrar – ela abriu a porta com um sorriso lindo.
- Como foi o dia bebê? – ela sentou na cadeira ao lado da cama e eu bufei.
- Bebê não né mãe! – eu reclamei e ela botou a mão na boca para abafar o riso. – Foi bom, tio Emmett nos levou a um lugar lindo, Jacob e eu almoçamos em quanto Emm foi caçar, depois nós voltamos para casa.
- O meu dia foi como todos os outros. Estou com muitas saudades de Renée e Charlie. – ela suspirou. Fazia muito tempo desde que Renée veio até Anchorage, uns dois anos. E A ultima vez que fomos até Forks para ver Charlie foi em Janeiro, nós estamos em março...
Mamãe me contou sobre a briga na clareira, e eu contei sobre o sonho da noite passada.
- Eu queria poder sonhar de novo- disse ela depois de um tempo.
-Mamãe... - ela me olhou – qual é o seu maior sonho? – continuei e ela sorriu.
- Antes do casamento, era viver eternamente ao lado de Edward. Agora é viver eternamente ao seu lado e de Edward – ela riu – Como se você já não soubesse!
- Como vai ser depois? – continuei.
- Depois?
- É! depois que eu for mais velha. – ela hesitou.
- Nós vamos te apoiar no que você escolher fazer. – ela sacudiu a cabeça, sua confusão era visível.
- Seria legal conhecer lugares! – sorri – Não acha? – ela riu alto.
-Não! Você realmente não saiu igual a mim, eu daria um dedo – ela mostrou o dedo indicador- para ficar em casa. –nós duas rimos e eu fui dormir.
 Tive uma noite tranqüila e sem sonhos.

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Espero que gostem. *-*
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